segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Em memória de uma excelente viagem

Era já meio dia. Estava acordado desde antes da alvorada e muito asfalto passou sob as rodas de sua moto. Parou para abastecer, a moto e o próprio corpo.

Como sempre, o frentista pergunta, como se não tivesse a resposta no tanque para o qual olhava e cuidava, com um pano que não evitava o desastre, não derramar gasolina:

- É uma Harley Davidson, né? Quanto vale uma dessa? Deve custar os olhos da cara.

Você responde com um sorriso amarelo e quase mecanicamente:

- É uma Heritage. Uma nova é mesmo cara, mas a minha é bem pagável.

- É mesmo? Quanto?

Tudo o que você não quer é pensar em grana. A viagem é justamente para deixar a rotina de lado por um tanto. E este trecho inicial foi, como sempre, deliciosamente prazenteiro. Então você resume:

- Pagável.

- Que ano?

- 2008.

O frentista termina, você paga e se dirige ao restaurante. A refeição é mais pesada do que o desejável, mas como evitar? Pelo menos foi boa o suficiente. Você só espera que ela não dê muito sono.

Agora começa o inferno dos pedágios e você retira da mala e coloca nos bolsos os saquinhos com as moedas separadas para facilitar a passagem.

Então você finalmente começa a subir a serra. As várias curvas pedem concentração, mas você não evita a viagem da mente enquanto viaja. Andar de moto é isso mesmo. E você fica com uma saudade imensa do seu pai: “ele ia adorar viajar comigo”.

A paisagem passa devagar. Você não tem pressa. Olhar e apreciar é preciso. Ainda mais porque é raro subir essa serra com o céu azul e o sol a ferver o capacete. Então você olha e aprecia com gosto.

O plano era parar acima da serra, pouco mais do que meio do caminho até o destino final. Dormir e tocar no dia seguinte. Mas a viagem rendeu e seu corpo ainda não pede descanso. Então você segue, devagar e sempre, olhando e apreciando.

O caminho segue tortuoso no planalto. Preto de asfalto. Verde, marrom e azul de vegetação, terra e céu. Seu prazer é imenso. Sua atenção constante. Você se mantém viajando e viajando: Deus é bom; sinto já falta da bagunça das crianças e da doce voz dela; aquele conceito de “terra das sombras” é mesmo uma coisa fantástica; como a metafísica faz falta a este mundo; que coisa mais linda; ah, a beleza; já e não ainda, primícias e plenitude, lágrimas e gozo...

Você olha para a direita e vê aquele hotel barato e honesto em que você ficou com a família da última vez que fez este trajeto com ela. Já é tarde, mas você continua, surpreendentemente, bem disposto. O sono do almoço pesado não veio. Louvado seja Ele! Vamos ao destino. Não falta muito.

Quando você finalmente chega ao anel viário, você ainda se espanta porque seu corpo poderia até ir mais longe, e isso não é nada comum. Mesmo assim, você agradece por estar quase onde se propôs estar, e tudo no mesmo dia. Nem mesmo aquela outra serra, sempre tão difícil, fez cansaço. Que viagem esta!

Luzes sem fim. A grande cidade é sempre ameaçadora, mas você a conhece bem. Pelo menos aquela parte dela. E você gosta. Ainda se sente em casa. Você se aproxima da luz que mais te interessa, a casa que vai ser seu lar por uns dias.

Portões, sorrisos e braços se abrem. Vozes familiares o saúdam e perguntam como foi a viagem.

- Bem melhor que o esperado. Acabei fazendo tudo em um dia.

- Quantos quilômetros mesmo?

- 1.100 de porta a porta.

- Puxa! E não está cansado?

- Bem pouco. Até poderia ir mais longe hoje. Mas uma cama, depois deste chão, é sempre bem vinda.

- Então entre, tome um café e um banho. Sua cama já está pronta.

E você louva a Deus porque não só a vida é boa como Ele lhe deu a amar amados que o amam! E dorme feliz!

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Como salvar as clássicas Softail, na versão 2018

Como eu tenho dito alhures, o problema todo é estético. Não me parece que novo quadro, motor e demais alterações técnicas sejam ruins. Ao contrário, tudo soa muito bem. O que parece é que é puro mau gosto mesmo, o que não se justifica pela tentativa de alcançar um novo público.

Deluxe versão Heritage Classic.
Imagem: configurador do site americano da H-D.
Vejam esta configuração da Deluxe. É exatamente o que se esperava de uma Heritage Classic, exceto pelos ridículos piscas, que poderiam ser no estilo flat. Quanto a Deluxe propriamente, bastava manter os piscas bullet, o rail no banco do piloto e o banco do carona com seu bagageiro. 

E, vejam só, eu gostaria mesmo é de ter aquela chicana, mas o modelo 2018 também me poderia servir como nesta segunda configuração, alterado o pisca, acrescentado um banco com rail e um bagageiro solo (como o da minha finada Heritage) e com estes destacáveis todos (parabrisa, alforges e tourpak solo). Acrescente-se um beach bar, duals e, talvez, roda dianteira aro 21 e temos a minha chicana.
Deluxe versão solo touring.
Imagem: configurador do site americano da H-D.
Não era difícil fazer uma Heritage S (a preteada que foi lançada) e uma Heritage Classic, além de uma Deluxe que não fosse ridiculamente moderninha. Era fácil, fácil. Mas não, tinham que fazer a caca que fizeram.

De todo modo, há salvação!

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

As novas Softail da linha 2018

Linha Softail 2018.
Imagem: site americano da H-D.
Bem, senhores, passado o baque da apresentação de ontem, em que cheguei a brincar nas redes sociais que a H-D morreu em 2017 e que os adornos da caverna precisavam ser repensados (para a Indian), e com um olhar mais demorado sobre os novos modelos no site americano, seguem minhas impressões.

Antes, lembrem-se: meu negócio aqui é estética. Se as melhorias técnicas são de fato melhorias ou não, há gente mais apropriada para comentar. Apenas digo que, a princípio, o novo quadro, com os novos motor e suspensão, são do meu agrado. Até mesmo o radiador está tão discreto enfiado no quadro que nem chega a assustar. Como devem sair postagens mais técnicas (ou não) blogosfera afora, vou acrescentando links aqui: Old Dog Cycles, Old Dog Cycles 2Lord of Motors (com a linha para o Brasil; será?), Wolfmann.

Ah, para fotos e detalhes, entrem no site americano da H-D. Sinceramente não me animei a incluir nenhuma outra foto. Ou, para uma foto de perfil de toda linha, inclusive as outras famílias: Wilson Roque.

Isto dito, vamos aos modelos. 

Como as Dyna acabaram, agora temos as Softail Street Bob, Fat Bob e Low Rider. A Fat Bob eu achei horrorosa, mas eu já achava isso da Dyna Fat Bob, então não fez mesmo muita diferença. Street Bob e Low Rider já têm um visual mais agradável. A Low Rider ficou bem bonitinha, mas também ficou igualzinha a Dafra Horizon. Em todo caso, se as Dyna já não me eram atrativas, exceto, talvez, e paliativamente, a Dyna Super Glide Custom, as Softail que herdaram seus nomes se mantém não atrativas para mim.

Breakout e Slim não mudaram tanto assim. Continuam motos bonitas, mas não são do meu gosto. Digo, não são o estilo de moto para ser minha, por mais que me agradem aos olhos. E, na verdade, acho que a Slim foi a única destas novas motos que me agradou sem restrições.

Agora, eu estava mesmo curioso era para ver o que seria feito da Fat Boy (mais pelo ícone que é do que por gosto), Deluxe e Heritage (estas por me serem modelos caros). 

A Fat Boy ficou um horror, com aquelas rodas monstruosas e aquela cabeça de touro que parece mais é uma cabeça tsantsa. Está parecendo uma Suzuki Boulevard mista M e C. Mas como os fãs da Fat Boy sempre foram os caras que gostam de motos mais moderninhas, é bem capaz de eles acharem tudo muito bem. Eu detestei.

Mas o que me frustrou mesmo foram a Deluxe e a Heritage. 

A Deluxe ao menos mantém o cromo e as rodas raiadas com pneus faixa branca. Mas o visual mais modernoso do novo quadro, aliado aos leds da capelinha e aqueles ridículos piscas retos... minha nossa! E em tirando o banco de garupa, tiraram aquele charmoso (embora realmente inútil) bagageiro e o rail, que, a meu ver, é uma das coisas que mais agregavam ao visual retrô da Deluxe. É bem verdade que tudo isso pode ser resolvido com acessórios. Mas, ora bolas, a moto original não ficou bonita, ao contrário dos modelos pré-2018.

Já a Heritage foi toda preteada, perdeu a faixa branca dos pneus e de Classic não tem mais nada. Nem é que ficou assim tão feia, mas simplesmente não é a Heritage Classic e não é um modelo fácil para customizar ao meu gosto. De positivo apenas o novo alforge, muito melhor que o, agora, antigo (mas mesmo assim ele tem tachinhas; pretas; mas tem tachinhas). Ainda se pelo menos eles tivessem feito dois modelos, uma Heritage (a preteada) e uma Heritage Classic (mantendo todo o cromo e a faixa branca dos pneus)... Mas não, tinham que fazer caca. Também é verdade que isso pode ser resolvido com acessórios. Porém, a que custo? (E isto, o custo, vale para a Deluxe também.)

Enfim, eu não gostei nada do que fizeram com as motos em termos estéticos, pensando principalmente nos três clássicos modelos Softail (Fat Boy, Deluxe e Heritage). Não sou assim purista e gosto de ver melhorias, pelo que entendo e acho mesmo necessária uma mudança nos modelos, além de me parecer uma aposta corajosa da marca. Mas pela primeira vez achei que a H-D realmente errou a mão na identidade visual da marca. Desta vez eu dou razão a todos que dizem que as motos ficaram muito japonesas.

Em todo caso, estas são primeiras impressões. O costume por certo há de alterar ânimos e versões posteriores dos modelos, além de acessórios, especialmente os aftermarket, podem mitigar ou resolver esta pisada na bola. E temos que ver "cara a cara". E fazer ass tests e test rides. Isto pode mudar tudo.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Garagem-bar 14

Enquanto andar de moto se mantém o ir e voltar ao trabalho, às vezes, e enquanto os assuntos escasseiam, a gente segue dando um trato na caverna.
A caverna, em sua mais recente "configuração".
Está sendo realmente divertido brincar de "do it yourself" e já estava de bom tamanho o simplesmente fazer o sofá, a mesinha/aparador, a bancada e a prateleira. 

Daí, no Forum HD, um dos foristas apresentou um projetinho DIY de um porta capacetes. Ficou bem legal, mas o que mais me chamou a atenção foi a pintura que ele fez, envelhecendo a madeira com betume (e aguarrás). Resolvi tentar isso também, uma vez que a caverna estava um tanto "monocromática". Mas eu não queria exatamente uma madeira envelhecida. Eu queria uma madeira enegrecida. 

Demorei um tanto para encontrar o betume na cidade, mas, enfim, encontrei e arrisquei pintar sem qualquer teste prévio. A mesinha/aparador ficou bem escura. Bancada e prateleira ficaram um pouco melhor, bem escuro como eu queria, mas menos "preto" do que a mesinha/aparador. O sofá, pintado já à noite, ficou com umas falhas e umas partes sem pintar. Das falhas eu gostei e as partes sem pintar não aparecem (ainda mais depois que eu colocar as espumas), pelo que vai ficar assim.

Gostei bastante do resultado final.

Além disso, acrescentei alguns adornos. Primeiro um quadro que minha esposa me presenteou no dia dos pais. Depois um tapete já velho que tenderia a ficar sem uso, também cedido por ela.

Talvez eu mude, se for necessário, os quadros e o som de lugar, quando algum conforto mais for acrescentado (uma TV e, talvez, um frigobar, que estou achando muito caro, ou mesmo uma daquelas mini geladeiras, mais em conta, mas com tamanho útil questionável). O bom de ser um ambiente paliativo, ainda que de uso prolongado, e de madeira é que estas modificações são fáceis e indolores.

Os próximos passos, porém, são as espumas do sofá (com um detalhe bordado que será interessante apresentar no tempo devido) e uma cortina que encomendei da China (encomendada por duas razões, aliás, uma a de ver como funciona a compra de lá e outra porque não faço ideia onde encontrar uma tal cortina por aqui) a ser "instalada" atrás do sofá, escondendo as prateleiras e "isolando" o "ambiente habitável".

Ah, aquela madeira embaixo da bancada é uma "prateleira". Há duas delas, na verdade, do mesmo tamanho. Farei com ao menos uma delas uma bancada externa ao barracão. Não dá para brincar de serrar, por exemplo, dentro dele. E cada vez menos, uma vez que ele está cada vez mais "habitável". Então... Bora brincar lá fora também!